Criar soluções financeiras para energias limpas: Soluções para setores-chave

Resumo

  • A duplicação do investimento em energia em África, observada no âmbito do Cenário da África Sustentável (Sustainable Africa ScenarioSAS), exige soluções inovadoras para mobilizar plenamente o capital de uma série de fontes – governos nacionais, IFD e capital privado. O capital privado desempenha um papel fundamental até 2030, aumentando seis vezes mais em relação aos níveis atuais, mas é essencial compreender onde pode ser aplicado para permitir a conceção de intervenções específicas. Além disso, ainda existem alguns países e setores onde as subvenções e o financiamento concessional devem ter um papel preponderante.
  • Alcançar o acesso universal a energia moderna exige um grande aumento de despesa, a qual irá atingir cerca de 25 mil milhões de dólares por ano até 2030. As restrições ligadas à disponibilidade financeira (affordability) poderão funcionar como um travão: apenas cerca de metade das novas ligações de acesso à eletricidade que fornecem os serviços de energia mais básicos são suscetíveis de ser financeiramente acessíveis sem apoio adicional, tais como subsídios, subvenções ou reforma de tarifas. Os projetos de energia limpa para cozinhar, para além dos fogões melhorados, enfrentam desafios semelhantes. Por conseguinte, as subvenções, o capital concessional e o apoio governamental desempenharão um papel crucial, especialmente nas zonas rurais.
  • O investimento em projetos de energia renovável deverá triplicar até 2030, no âmbito do SAS. Embora o investimento tenha vindo a crescer, existe o risco de os países com rendimentos mais baixos, que dependem de fundos concessionais, ficarem para trás. Estes países representam três quartos da população da região, mas, por terem um ambiente regulatório menos desenvolvido e uma menor procura, atraem apenas uma pequena percentagem do investimento. É fundamental garantir que o capital concessional é direcionado para apoiar estes países com rendimentos mais baixos.
  • O investimento massivo nas redes elétricas em África é crucial para melhorar a fiabilidade dos sistemas, expandir o acesso e facilitar a integração de energias renováveis variáveis.  A situação financeira precária das empresas públicas de eletricidade tem dificultado o investimento até hoje, mas têm surgido modelos promotores de uma maior participação do setor privado neste segmento. A adoção destes modelos aumenta o investimento do setor privado nas redes de abastecimento de 4% para 10% até 2030.
  • A eficiência energética não é atualmente uma prioridade para muitas fontes de capital concessional: só está explicitamente coberta por cerca de 15% dos instrumentos de financiamento. A eficiência desempenha um importante papel no SAS, mas os custos iniciais mais elevados podem complicar o investimento. Estão a ser testados inúmeros modelos de financiamento inovadores, desde abordagens em grande escala até aos que visam pequenas e médias empresas e consumidores, mas muitos requerem apoio político e financiamento concessional para alcançar a escala necessária.
  • Os países africanos podem tirar partido da crescente procura mundial de minerais críticos e de combustíveis com baixas emissões para impulsionar o desenvolvimento industrial nacional, criando atividades de valor acrescentado na cadeia de abastecimento de minerais e procurando perspetivas de longo prazo para os combustíveis com baixas emissões. Muitos destes projetos podem ser financiados por atores privados, mas o hidrogénio com baixas emissões necessitará de um apoio público substancial para ganhar escala.