Eletrificação pode reforçar a segurança energética e a resiliência económica de Portugal

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O relatório da AIE destaca a necessidade de uma implementação coordenada, de um planeamento mais sólido da rede elétrica e de quadros de investimento, à medida que o país prossegue a sua transição para as energias renováveis

Portugal está a fazer grandes progressos na transformação do seu sistema elétrico, através de um conjunto de tecnologias energéticas. No entanto, são ainda necessários mais esforços em vários setores para alcançar os seus objetivos ambiciosos, segundo um novo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE).

Graças ao rápido crescimento da energia solar fotovoltaica nos últimos anos e às contribuições contínuas da energia hidroelétrica e eólica, a produção de eletricidade em Portugal apresenta atualmente uma das menores intensidades de carbono entre os países membros da AIE. De acordo com a mais recente Análise da Política Energética da AIE, esta situação reforçou a segurança energética do país e reduziu a sua dependência das importações. No entanto, serão necessários maiores progressos na eletrificação de setores de utilização final como os transportes, edifícios e indústria, bem como melhorias nas infraestruturas de rede, para se poderem concretizar plenamente estes benefícios, reduzindo simultaneamente a dependência de importações de energia e a exposição à volatilidade dos preços.

«Portugal construiu uma base sólida graças aos rápidos progressos alcançados no domínio da eletricidade renovável», afirmou Mary Burce Warlick, Diretora Executiva Adjunta da AIE. «À medida que a redução das emissões depende cada vez mais da eletrificação em toda a economia, a eletricidade torna-se fundamental tanto para a segurança energética como para o desenvolvimento económico. Garantir que as redes, os mercados e os quadros de investimento evoluam em simultâneo com a eletrificação será essencial para sustentar os progressos, mantendo a acessibilidade dos preços.»

A Diretora Executiva Adjunta lançará hoje, em Lisboa, o relatório, juntamente com o Secretário de Estado Adjunto e da Energia de Portugal, Jean Barroca, e com os principais intervenientes do sector da energia. O relatório apresenta uma avaliação abrangente das políticas energéticas de Portugal e formula recomendações para apoiar a criação de um sistema energético mais seguro, acessível e centrado nas pessoas.

Portugal estabeleceu metas ambiciosas através do seu Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), com objetivos claros para 2030 e um percurso rumo à neutralidade climática até 2045. Para apoiar esta iniciativa, Portugal pode desenvolver um plano de ação nacional baseado em acordos setoriais de base, com vista a melhorar a coordenação, alinhar os investimentos e proporcionar maior clareza às entidades interessadas.

O relatório destaca que a procura de eletricidade já começou a aumentar à medida que a eletrificação se acelera nos setores dos transportes, do edificado e da indústria.

Simultaneamente, a quota crescente da produção de energia solar e eólica está a aumentar a necessidade de flexibilidade do sistema, incluindo o armazenamento, a resposta da procura e outros recursos que possam apoiar o equilíbrio do sistema em tempo real.

Será essencial um planeamento da rede mais integrado e proativo. São necessários investimentos nas redes de transporte e de distribuição para integrar novas fontes de produção, apoiar a eletrificação e reforçar o comércio transfronteiriço de energia no mercado ibérico. O relatório realça também a importância de melhorar a coordenação entre os operadores das redes de transporte e de distribuição, bem como de harmonizar os processos de planeamento nacionais e locais.

À medida que a eletricidade assume um papel cada vez mais importante no sistema energético global, será cada vez mais importante garantir uma flexibilidade adequada. A AIE recomenda o desenvolvimento de um plano de ação baseado em cenários, a expansão da contratação de serviços do sistema por meio de mecanismos de mercado e a eliminação de barreiras à participação de novas tecnologias.

Embora o setor da eletricidade tenha registado um avanço rápido, os progressos nos setores de utilização final têm sido mais graduais. Atualmente, os transportes são a maior fonte de emissões, impulsionados por uma frota de veículos envelhecida e ineficiente. Embora os veículos elétricos tenham representado uma parte significativa das vendas de veículos novos em 2025, a sua quota na frota total continua a ser limitada. A AIE recomenda alargar o apoio à venda de veículos elétricos usados, acelerar a instalação de infraestruturas de carregamento e intensificar as políticas destinadas a incentivar uma utilização mais ampla dos transportes públicos e do transporte ferroviário.

No setor industrial português, as emissões permaneceram praticamente inalteradas nos últimos anos. Segundo o relatório, é necessária uma estratégia industrial clara, com trajetórias para os subsetores, para orientar o investimento, apoiar a competitividade e alavancar a eletricidade de baixas emissões em Portugal, de modo a desenvolver novas cadeias de valor. No que diz respeito aos edifícios, será essencial melhorar a eficiência energética e acelerar as renovações profundas para reduzir os custos para as famílias.

A AIE realiza regularmente análises interpares das políticas energéticas e climáticas dos seus países membros. Estas análises fornecem recomendações para apoiar o desenvolvimento de políticas e incentivar a partilha de boas práticas e experiências internacionais.

Para mais informações, contacte através do email press@iea.org.